O que é o projeto Coro Pantaneiro?

O Pantanal é mundialmente reconhecido por sua inigualável fauna e por seu mosaico de paisagens, dentre as quais se integra a produção pecuária há quase três séculos. Os desafios historicamente enfrentados na criação de gado em um terreno fortemente moldado pelo regime de cheias e secas estão enraizados na tradição pantaneira. Essa mesma tradição desempenha papel-chave na manutenção da planície pantaneira, que, nos dias de hoje, é considerada um dos biomas mais bem equilibrados do Brasil. Esse balanço entre os eixos econômicos, socioculturais e ambientais é naturalmente originado na pecuária pantaneira e serve como exemplo de sustentabilidade para atender às crescentes demandas da sociedade.

Nesse contexto, o projeto Coro Pantaneiro realizará um esforço de campo inédito para compreender a exuberante riqueza de animais do Pantanal, por meio de amostragens em diversas localidades do Pantanal Norte e Sul. O propósito é realizar um levantamento da biodiversidade do Pantanal, compreender sua ecologia e agregar o merecido valor da fauna ao patrimônio natural e ao modo de vida Pantaneiro.

Como funciona a coleta de dados?

O registro de espécies – especialmente de aves – será realizado em diferentes áreas ao redor do Pantanal e utilizará métodos não invasivos de amostragem, como gravadores automáticos de imagem e de som. Os sensores coletam dados a cada 3 dias, a partir de registros de sons de animais no entorno e de fotografias de animais a curta distância.

Ilustração da estação de monitoramento contendo um sensor acústico (cerca de 1.5 metros acima do solo) e um sensor de imagem (cerca de 40 cm acima do solo), e a capacidade média de detecção em termos de distância (50 a 100 metros para animais barulhentos, 3 a 5 metros para sensores de imagem).

A foto é disparada apenas quando um animal está perto do sensor. Quando uma foto é tirada, é possível identificar apenas animais de baixa estatura, dada a altura das câmeras – para vacas, por exemplo, apenas fotos de suas canelas são registradas.

Foto: Uma vaca em frente a câmera fotográfica. Note que o indivíduo deve estar próximo ao aparelho para que o sensor dispare automaticamente.

Os sons possuem diferentes capacidades de propagação no ambiente, de modo que apenas animais passando muito perto do gravador serão gravados com a qualidade necessária para identificar automaticamente a espécie.

A quantidade de dados brutos obtidos será monumental, por isso serão desenvolvidos algoritmos para identificar, de forma automatizada, a presença de animais em áudio e imagem. Oportunidades de treinamento e capacitação no uso desses equipamentos serão oferecidas à comunidade interessada em apoiar o projeto.

Temos o princípio norteador de manter o anonimato da origem dos dados e a privacidade dos dados coletados.

A fase inicial do projeto teve início em janeiro de 2026 e deve se estender até setembro. A coleta de dados em cada uma das localidades de amostragem ocorrerá por pelo menos 1 ano e meio. Durante esse período, uma equipe será designada para instalar e visitar os pontos a cada 2-3 meses para manutenção do equipamento. Essa equipe é composta por profissionais capacitados para a realização dos trabalhos em campo no Pantanal, treinados para ter o menor impacto possível nos trabalhos regulares nas propriedades.

Imagem: Esquema geral do fluxo de trabalho para o monitoramento de aves e de outros animais do projeto Coro Pantaneiro.

Em termos práticos, por que esses dados são úteis?

Gerar conhecimento detalhado sobre a fauna em escala de bioma é uma iniciativa inédita no Brasil, estreada no Pantanal. Os achados mais refinados têm potencial para trazer benefícios aos proprietários das fazendas que apoiarem o projeto. Por exemplo, as listas com espécies de aves que ocorrem em sua propriedade podem ser úteis para pleitear a captação de novos incentivos para a manutenção da fauna e flora local (por exemplo, pagamentos por serviços ambientais), facilitar futuros inventários de fauna para fins de licenciamento ambiental, e até mesmo fornecer material de base para iniciativas de turismo de natureza.

Quem tem acesso aos dados?

Cada proprietário tem acesso ilimitado aos dados brutos (sons e imagens) coletados apenas na sua propriedade, basta indicar interesse e viabilizar mídia para armazenar os dados. Além disso, garantimos o compartilhamento de exemplares dos registros de espécies gerados por meio de análises automáticas: lista de espécies, sons e fotografias da fauna registrada em cada localidade.

O conjunto de dados completo é anonimizado antes das análises, e o uso para análises científicas ficará restrito ao grupo organizador do projeto Coro Pantaneiro; ou seja, a localização exata dos pontos não será compartilhada nem mesmo com órgãos de fiscalização ambiental, por exemplo. A equipe do projeto se compromete a utilizar os dados com a única finalidade de pesquisa e de geração de conhecimento útil ao desenvolvimento sustentável do Pantanal.